A Igreja em Renovação: O Tempo Pascal, o Pontificado de Leão XIV e os Desafios Contemporâneos
- Rodrigo M. de Abreu

- 16 de mai. de 2025
- 5 min de leitura

O Tempo Pascal e a Aproximação de Pentecostes
Neste Tempo Pascal de 2025, a Igreja Católica vive um momento singular de renovação. Como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica, "os cinquenta dias que se estendem da Páscoa ao Domingo de Pentecostes são celebrados na alegria e na exultação, como se se tratasse de um único dia de festa, como um 'grande Domingo'" (CIC, 1169). Estando hoje, 16 de maio de 2025, a caminho da Solenidade de Pentecostes, somos convidados a reviver aquele momento em que o Espírito Santo desceu sobre os Apóstolos e Maria, dando início à missão evangelizadora da Igreja.
Os Atos dos Apóstolos nos narram como, após receberem o Espírito Santo, os discípulos saíram do Cenáculo para anunciar as maravilhas de Deus em diversas línguas (At 2,1-11). Da mesma forma, a Igreja de hoje é chamada a falar ao mundo contemporâneo numa linguagem compreensível, levando a mensagem de Cristo a todas as nações, como nos recorda a Constituição Dogmática Lumen Gentium: "A Igreja recebeu dos Apóstolos este mandamento solene de Cristo de anunciar a verdade salvadora" (LG, 17).
O Novo Pontificado: Papa Leão XIV e sua Visão para a Igreja
No dia 8 de maio de 2025, a Igreja Universal acolheu o cardeal Robert Francis Prevost como novo Pontífice, que escolheu o nome de Leão XIV. Esta escolha não foi aleatória, mas profundamente simbólica: uma referência direta ao Papa Leão XIII, autor da histórica encíclica Rerum Novarum (1891), que lançou as bases da Doutrina Social da Igreja.
Em seu primeiro discurso da sacada da Basílica de São Pedro, o Papa Leão XIV estabeleceu a paz como tema central de seu pontificado: "A paz esteja com todos vocês! Caríssimos irmãos e irmãs, esta é a primeira saudação de Cristo Ressuscitado, o Bom Pastor que deu a vida pelo rebanho de Deus." Esta saudação pascal revela a continuidade entre o mistério da Ressurreição e a missão da Igreja no mundo contemporâneo.
Invocando a memória de seu antecessor, o Papa Leão XIV recordou: "Ainda conservamos em nossos ouvidos aquela voz fraca, mas sempre corajosa, do Papa Francisco que abençoava Roma! O Papa que abençoava Roma concedia a sua bênção ao mundo, ao mundo inteiro, naquela manhã do dia de Páscoa." Esta ligação com o Papa Francisco demonstra a continuidade do magistério pontifício em tempos de transição.
A Identidade Agostiniana e a Vocação Sinodal
O novo Pontífice revelou sua identidade espiritual, afirmando: "Sou filho de Santo Agostinho, um agostiniano, que disse: 'com vocês sou cristão e para vocês bispo'." Esta citação de Santo Agostinho (Sermão 340,1) evidencia uma das características fundamentais que o Papa Leão XIV deseja para seu pontificado: a proximidade com o Povo de Deus, ao mesmo tempo que reaviva a ideia de que o bispo está ali para ouvir o povo e, assim, o bispo decidir.
Isso se manifesta na visão de uma Igreja sinodal, como ele mesmo expressou: "Queremos ser uma Igreja sinodal, uma Igreja que caminha, uma Igreja que sempre busca a paz, que sempre busca a caridade, que sempre busca estar próxima, especialmente daqueles que sofrem." Esta visão sinodal está em perfeita sintonia com o Concílio Vaticano II, que definiu a Igreja como "Povo de Deus" (LG, 9-17) e com a exortação apostólica Evangelii Gaudium do Papa Francisco, que convidou a Igreja a ser "uma comunidade evangélica sempre de portas abertas" (EG, 46).
A Igreja Católica e as Novas Tecnologias
Em um mundo cada vez mais digitalizado, a Igreja enfrenta o desafio de evangelizar utilizando os novos meios de comunicação. O Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, em seu documento A Igreja e Internet (2002), já afirmava: "A Internet é relevante para muitas atividades e programas da Igreja – a evangelização, incluindo a re-evangelização e a nova evangelização, e a obra missionária tradicional ad gentes, a catequese e outros tipos de educação, notícias e informações, apologética, governo e administração, e algumas formas de conselho pastoral e direção espiritual" (CI, 5).
A visão do Papa Leão XIV de "uma Igreja missionária, uma Igreja que constrói pontes, dialoga, sempre aberta" encontra nas novas tecnologias uma oportunidade e um desafio. Como destacou São João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio: "O primeiro areópago dos tempos modernos é o mundo das comunicações" (RM, 37). Este "areópago" digital exige uma presença evangelizadora que, conforme o Diretório para a Comunicação da Igreja (Communio et Progressio), deve ser "um diálogo autêntico entre a Igreja e o mundo" (CP, 114).
A Busca pela Paz num Mundo Dividido
"A paz esteja com vocês!" - esta saudação, repetida três vezes no primeiro discurso do Papa Leão XIV, ecoa a saudação de Cristo Ressuscitado e estabelece um programa para o pontificado que se inicia em tempos conturbados. O novo Pontífice qualifica esta paz de maneira significativa: "Esta é a paz de Cristo Ressuscitado, uma paz desarmada e uma paz desarmante, humilde e perseverante. Ela vem de Deus, Deus que nos ama a todos incondicionalmente." Com esse discurso, o Santo Padre não só convida à paz no mundo, mas à paz na Igreja que, nos últimos tempos, encontra divisões e contendas internas, enquanto o povo fica como ovelhas sem pastor, quase que à deriva, sem saber a quem ouvir e seguir.
Esta visão da paz está profundamente enraizada na tradição da Doutrina Social da Igreja. O Compêndio da Doutrina Social afirma: "A paz não é simplesmente ausência de guerra, nem sequer um equilíbrio estável entre forças adversárias, mas funda-se sobre uma correta concepção da pessoa humana e requer a edificação de uma ordem segundo a justiça e a caridade" (CDSI, 494).
O Papa Leão XIV, ao fazer referência à encíclica Rerum Novarum através da escolha de seu nome papal, evoca os princípios fundamentais da justiça social e da dignidade humana como bases para uma paz duradoura. Como afirmou São João XXIII na encíclica Pacem in Terris: "A paz na terra, anseio profundo de todos os homens de todos os tempos, não se pode estabelecer nem consolidar senão no pleno respeito da ordem instituída por Deus" (PT, 1).
Conclusão: Uma Igreja Guiada pelo Espírito Santo
Ao aproximar-se da festa de Pentecostes de 2025, a Igreja Católica, sob a liderança do recém-eleito Papa Leão XIV, é convidada a abrir-se novamente à ação do Espírito Santo. A devoção mariana, expressa pelo Santo Padre em sua primeira saudação ao Povo de Deus ("Nossa Mãe Maria quer sempre caminhar conosco, estar próxima, ajudar-nos com sua intercessão e seu amor"), recorda o papel de Maria no Cenáculo, presente com os Apóstolos no momento da descida do Espírito Santo (At 1,14).
O Concílio Vaticano II, na Constituição Dogmática Lumen Gentium, afirma que "a Igreja, na sua fé apostólica que teve origem no dia de Pentecostes e que tem de professar em todos os tempos, ao longo do seu peregrinar na terra, está unida ao Espírito Santo" (LG, 25). É este mesmo Espírito que hoje guia a Igreja universal e o pontificado que se inicia.
As palavras finais do discurso inaugural do Papa Leão XIV, convocando todos à oração mariana, recordam o vínculo indissolúvel entre a Mãe de Deus e a missão da Igreja: "Por isso, gostaria de rezar junto com vocês. Rezemos juntos por esta nova missão, por toda a Igreja, pela paz no mundo e peçamos esta graça especial a Maria, nossa Mãe."
Neste Tempo Pascal de 2025, que culminará em Pentecostes, a Igreja Católica é convidada a ser, como deseja o Papa Leão XIV, "uma Igreja que caminha" - uma comunidade de fé que, guiada pelo Espírito Santo e sob a proteção materna de Maria, enfrenta os desafios do mundo contemporâneo, anunciando o Evangelho com renovado ardor missionário e construindo pontes de paz e fraternidade.
"Enviai o vosso Espírito, Senhor, e renovai a face da terra" (Sl 104,30)
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