O SANTO SACRIFÍCIO DA MISSA (pt. 6): A Missa na Idade Média
- Rodrigo M. de Abreu

- 31 de mai. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de ago. de 2025

A Evolução da Santa Missa entre os Séculos V e XV
A Santa Missa, como a conhecemos hoje, passou por um desenvolvimento significativo entre os séculos V e XV. Esse período foi marcado por profundas transformações tanto na liturgia quanto no contexto histórico da Igreja, que buscava manter sua unidade e espiritualidade em meio a desafios variados.
A Liturgia Medieval (Século V ao X)
No início do período, após a queda do Império Romano, a Igreja começou a se estabelecer como uma instituição central na vida social e cultural da Europa. A liturgia se consolidou em várias regiões, com diferentes ritos emergindo, mas todos mantendo os princípios fundamentais da Eucaristia. Santo Agostinho observa que:
"A Eucaristia é o sacramento de unidade, que nos faz um só corpo em Cristo."
A Liturgia Romana tornou-se predominante, mas outros ritos, como o Ambrosiano e o Galicano, também foram amplamente utilizados. Documentos como o Liber Pontificalis e os escritos de São Gregório Magno (540-604) ajudaram na unificação e na padronização dos rituais:
"Devemos adorar a Deus de modo digno e conforme à tradição".
Desenvolvimento da Liturgia (Séculos XI ao XIII)
A partir do século XI, a Igreja passou por um período de renovação litúrgica. O papado ganhou força, e a necessidade de uma liturgia unificada se tornou essencial. O trabalho de reformadores, como Papa Gregório VII, contribuiu para a uniformização dos ritos.
A Missa começou a incorporar novos elementos, como:
A introdução do canto gregoriano: que visava elevar a espiritualidade da celebração;
Diversificação das orações eucarísticas: com a criação de diferentes anáforas, como as de Santo Tomás de Aquino, que refletiam a profundidade teológica do momento.
O Concílio de Latrão (1123) e o Concílio de Trento (1545-1563), embora fora do escopo de nosso período, prepararam o caminho para a reavaliação dos ritos já em uso.
A Liturgia na Baixa Idade Média (Século XIII ao XV)
Durante a Baixa Idade Média, o desenvolvimento do culto a Maria e à adoração do Santíssimo Sacramento trouxe novas dimensões à celebração da Missa. Os carismas franciscano e dominicano enfatizaram a devoção e a participação dos fiéis. Dom Frei Fernando Antônio Figueiredo, OFM, observa que:
"A liturgia se torna o lugar onde a Igreja encontra sua identidade."
No século XIV, o uso de línguas vernáculas começou a emergir em algumas regiões, permitindo maior participação da congregação. Porém, a língua latina ainda era amplamente utilizada e existia uma preocupação com a preservação da sacralidade da Missa.
A Presença do Pão e Vinho
A Evolução da Teologia Eucarística
A teologia e a prática da Eucaristia evoluíram significativamente entre os primeiros séculos do cristianismo e o século XIII. Inicialmente, a Eucaristia era compreendida como um memorial da Última Ceia, e não havia uma doutrina formal sobre a presença real de Cristo nas espécies consagradas. Entretanto, teólogos como Santo Agostinho e Santo João Crisóstomo começaram a enfatizar essa presença, estabelecendo as bases para um desenvolvimento teológico mais estruturado.
O Conceito de Transubstanciação
O conceito de "transubstanciação" foi sistematizado no século XIII, especialmente por São Tomás de Aquino em sua obra Suma Teológica. Ele definiu que, após a consagração, o pão e o vinho mantêm suas aparências, porém sua essência se transforma completamente no Corpo e Sangue de Cristo. Essa doutrina tinha o objetivo de responder às controvérsias que surgiam na época, trazendo uma explicação sólida sobre a presença real de Cristo na Eucaristia.
O Concílio de Latrão IV
O Concílio de Latrão IV, realizado em 1215, abordou diretamente a Eucaristia, confirmando a crença na presença real de Cristo e unificando a doutrina da Igreja. Este evento foi crucial para a consolidação da teologia e da prática eucarística, preparando o terreno para uma compreensão comum entre os fiéis e o clero.
A Contribuição de São Tomás de Aquino
São Tomás de Aquino articulou a transubstanciação de forma detalhada, defendendo que a fé e a razão eram essenciais para entender este mistério. Sua contribuição teve um impacto profundo no desenvolvimento da doutrina e na espiritualidade dos fiéis, aprofundando a experiência da Eucaristia como um sacramento verdadeiramente sagrado e central.
A Centralidade da Eucaristia
A transubstanciação não apenas se tornou um marco teológico importante, mas também reforçou a centralidade da Eucaristia na vida da Igreja. Essa compreensão se consolidou como um dos pilares da fé católica, moldando a posição da Eucaristia como um dos sacramentos mais significativos da tradição cristã até os dias atuais. Assim, a Eucaristia continua a ser uma fonte vital de espiritualidade e comunhão para os católicos em todo o mundo.
São Tomás de Aquino, um dos Doutores da Igreja, afirmou:
"O pão e o vinho se tornam verdadeiramente o Corpo e o Sangue de Cristo, embora as aparências permaneçam."
Conclusão
Entre os séculos V e XV, a Santa Missa se consolidou como o centro da vida espiritual da Igreja. O desenvolvimento dos ritos, as interpretações teológicas e as práticas devocionais refletiram um tempo de grande riqueza e diversidade, unindo os fiéis em torno do mistério da Eucaristia.
Esse processo de transformação contínua reafirma a importância da liturgia como um meio de sustentação e crescimento espiritual para os cristãos. Como observa Henri Daniel-Rops em sua obra, "A Igreja dos Tempos Medievais", a Missa se tornou não apenas um rito de adoração, mas uma celebração da comunhão da Igreja com Deus e entre os fiéis.
CONTINUA...
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